Dessa travessia, dessa experiência, dessa pausa, vou tirar várias lições, as quais pensei em dividir com a intenção exclusiva de ajudar de alguma forma a quem precise de apoio. Cada passo dessa história poderá se tornar um sucesso, uma poesia, um exemplo. Depende apenas de mim...

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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Foi roxaaaaaaaaa a primeira quimio....

    Minha filha tirou a foto muito rapidamente, o saquinho com a quimio roxa não apareceu direito...


O nervosismo era grande, tenho que confessar. Saímos cedo demais de casa contando com o trânsito entupido daquela hora, mas  acabamos chegando cedo demais, então fomos tomar cafezinho antes de subir para amenizar a espera.
Quando cheguei na salinha individual preparada para as iniciais das quimios, sentei e fiquei sozinha por minutos, deu para examinar tudo à volta, me centrar e principalmente observar lá fora, onde a vida era pulsante e pra onde eu queria voltar...  Cumprimentei o sol que chegava até mim através dos galhos de belos flamboyants, cujas copas estavam ao nível da sala onde eu me encontrava, o sol me devolveu seu calor banhando minha poltrona com os raios leves daquela hora da manhã...  A poesia existe em todos os lugares. Fui privilegiada com essa sala, pensei... linda, com sol e com o verde das árvores...muito bem, em frente!!!      Suspirei fundo e ao mesmo tempo entrou uma enfermeira.
Ela mexeu no acesso recém colocado, que me doía ainda  (me deu pavor ao ver que ela colocaria uma agulha ali), mas como eu estava com pomada anestésica, realmente quando eu me dei por conta, estava plugada num saquinho plástico que pingava rapidamente. Era o líquido inicial, preparatório. Eu estava ligada ao início da quimio. Duas lágrimas escorreram pelos cantos, o medo da dor ainda estava presente.
Bem, daí vieram as meninas, minha filha e minha sobrinha, para ficar comigo ali,  companhias mais do que  importantes  naquele  momento. Conversando e rindo o astral estava bom, mas ainda melhorou mais um pouco...
Em seguida chegou a enfermeira chefe, num salto azul marinho pra lá de alto...e eu observando tuuuuudo, seu uniforme, seu cabelo, sua fala direta mas carinhosa,   e até a falta do seu crachá. Como era mesmo o seu nome?    Ela começou a trocar os saquinhos, que depois ouvi elas chamarem de bolsinhas.
O tempo pára nesses momentos e damos importância aos mínimos detalhes, como se fosse pra ganhar tempo, acordar de um sonho e fugir para os galhos da árvore lá fora, banhados do sol que eu amo tanto...
Voltando pra real: nesse momento começou a troca de bolsinhas da quimio e eu ia receber a primeira bolsinha de quimio mesmo, a anterior era apenas a preparação: a bolsinha tinha líquido roxo, uns 200 ml roxos sim!!!!    Roxo... a cor de S. Germain, a cor da transmutação, a cor dos chacras superiores...  Pisquei pro sol, que era meu cúmplice!
AAAAhhhh não me contive, a alma perguntadeira saiu goela afora e começou a sessão dos porquês.... Afinal, eu havia recebido dos amigos aulas e aulas sobre as cores das quimios, a vermelha era a mais forte, a amarela médio média e a branca era a mais soft... Mas ninguém, ninguém mesmo me falou que tinha roxaaaaaa.....  e agora???   Me explique, por favor...   Mas bah, ela me deu uma outra lição sobre o ciclo de renovação das células e tipos de câncer, claro que sei que cada caso é um caso, mas aquela bolsinha ali era especial para casos como o meu, não tão agressivo.  Tá bem, pensei espantada  e conformada.   A enfermeira do sapato de salto alto e sentou na minha frente, com papéis nas mãos e postura de puxar conversa. Falou mais um tanto, de tudo, do que eu poderia passar e até como eu deveria me cuidar, minhas defesas vão ficar baixas e eu preciso me cuidar muito. Como ela saiu novamente, deu tempo de eu respirar fundo e me reposicionar na poltrona.....mas ela voltou em seguida com um suporte parecido com porta CD’s, que pode ser preso à cintura e que tem uma embalagem transparente dentro com a quimio que vou levar pra casa: líquido transparente!!!  Me colocou a coisa no corpo e fiquei independente, com alguns fios saindo da altura do pescoço e entrando na tal bolsinha. Nada mau o modelito, pode causar espanto na rua...
Mas o principal de tudo era como enfrentar os efeitos colaterais, o meu maior medo de todos. Recebi o nome de um remédio para náuseas e muitas instruções, achei que estava bem e vim embora. Estava terminada a sessão tortura emocional, tão amplamente esperada por mim, agora esvaziada pelo conhecimento...
Até agora, quase meia-noite, me sinto um pouco em falso e com uma dorzinha de cabeça lá atrás, que não incomoda muito. Mas o ânimo está bom, me enrolei num cobertor fininho e coloquei o espetacular Crok’s da minha filha e fui cumprimentar a Lua Cheia lá no jardim, pedindo a ela que me ajude a passar bem pelas quimios... Meu gato preto se enroscou nas pernas e ficamos ali os dois a pedir pra Grande Mãe a sua benevolência pra esse problema...
Juro que nunca vi a lua passar mal e nem sair do seu equilíbrio, disso ela deve entender muito.

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