Praia de Ipanema ao cair da tarde.
04 de fevereiro - Exatamente no Dia Internacional do Câncer, atravessei o portal entre a doença e a sua cura.
Deitada, presa e indefesa, enquanto passava várias vezes por dentro do tubo naquelas máquinas imensas de tomografia, com o corpo cheio de contrastes via oral, venal e retal, me sentia atravessando um portal silencioso, frio, calculadíssimo e solitário. Estava naquele momento mapeando definitivamente o problema, na sua intensidade e na minha dor. Foi um pouco desagradável, mas confesso que eu estava bem centrada, sem frescuras e xiliques.
Comecei a cantarolar “Mãe Antiga”, o que fez brotar lágrimas emocionadas, naquele momento pra lá de inoportunas. A enfermeira sorriu meigamente e se tornou cúmplice do meu momento ao enxugar a lágrima que eu não tinha conseguido secar, com meu braço controlado pelo acesso para o contraste venal.
Tudo levou muito tempo para terminar, mas saí de lá com muita força. Tinha passado pelo primeiro estágio.
Força? Incrível, mas eu estava com a força de sempre, uma super energia recebida clara e especialmente das mulheres minhas irmãs de Tenda da Lua. Eu estava absolutamente normal, assim como sempre fui....não era mais a mulher assustada de dias atrás.
Estou retornando ao meu normal.

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