Dessa travessia, dessa experiência, dessa pausa, vou tirar várias lições, as quais pensei em dividir com a intenção exclusiva de ajudar de alguma forma a quem precise de apoio. Cada passo dessa história poderá se tornar um sucesso, uma poesia, um exemplo. Depende apenas de mim...

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terça-feira, 10 de maio de 2011

Experiências inesperadas...

      Colonia del Sacramiento/Argentina, 2007.


Ontem fui pro Bloco Cirúrgico do Mãe de Deus para finalizar tudo, a retirada do Portocath.  Foi um momento de apreensão sim, mas também um momento feliz, de alívio, principalmente quando eu estava já deitada na mesa cirúrgica e olhei para o alto, vendo aqueles refletores imensos... Pensei "é a última vez"... que coisa boa!!!!
Acordei com eles ainda me costurando e interagi quando me colocaram na maca que me levaria para a sala de recuperação. Eu estava tão eufórica, mas devido à anestesia não conseguia me expressar direito...enquanto a maca atravessava os corredores, eu ia olhando o teto e me lembrando daqueles seriados de pronto-socorro da TV... Nossa, como eu agradecia a cada iluminação que passava... "é a última vez... é a última vez"...
Cheguei na recuperação com 34 graus de temperatura, estava gelada, pedindo suco pois estava desesperada de sede, até ali era um jejum de 15 horas... Me deram um "te acalma, só vais sair daqui às 16 horas"....  Eu estava tão desperta e acesa que era impossível que aquele relógio na parede não andasse mais ligeiro... 
Mais um pouco e ganhei o tal suco que veio acompanhado de bolachas passadas, mas eram o necessário pra eu me acender mais ainda. Percebi que estava meio tontinha, mas o enfermeiro foi levantando a cabeceira pra eu ir me acostumando. E eu olhava tudo, com ares de marota falando pra mim mesma: "fim...não volto mais..."
Que delícia de sentimento!!!
Aos poucos fui sentando e aos poucos levantei, apoiada no enfermeiro, que me levou à cabine para a troca de roupas. Lá dentro, sentada num banquinho, eu ainda lutava contra o estado de "tontinha", fui colocando a roupa de baixo, a blusa e, quando coloquei as calças compridas, desatei num choro silencioso, inesperado... Me surpreendi comigo mesma, sou osso duro de roer para chorar, mas as lágrimas teimavam em sair... Me dei conta do que representava aquele momento... era a minha volta para o mundo lá fora, aquele mundo que tantas vezes  olhei através das vidraças e não pude sair. Eu estava de volta ao meu mundo e mais a uma imensidão de sentimentos que terminaram culminando num amado abraço na minha irmã de coração Vera, que sempre me apoiou nesses momentos. Era nos braços dela que eu precisava dizer "terminou!!!"...
Saímos de lá felizes, fui caminhando devagarito, presa no braço da Vera, respirando o ar da tarde já meio geladinho.
Momentos como esse jamais serão esquecidos.

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