Um recanto no meu jardim.
Enquanto o sabiá de peito laranja se banha ruidosamente na bacia de água dos cachorros, estou sentada tomando meu café da manhã desse domingo, com uma das labradoras embaixo da mesa apoiando a sua cabeça no meu joelho.
O sol ilumina a mesa dando um toque de vida ao momento, o silêncio está presente e eu interajo com os elementos.
Sim, são momentos em que todo o movimento aparente cessa, os olhos fixam no nada e o pensamento voa atrapalhado, sem saber direito em que pensar.
Momentos.
Procuro um papel qualquer, preciso escrever o que estou sentindo, depois as emoções se vão e não sobram as palavras que nesse momento batem e ressoam no meu coração. Escrevo freneticamente num caderno de propaganda de supermercado...
O aroma do café me traz de volta à realidade, essa realidade que tem sido dura, mas que eu ainda agradeço aos Céus ter sido assim e não como eu tenho visto tantas outras realidades muito piores.
Quero a minha vida de volta, mas em novos moldes.
Penso, penso e não chego à conclusão alguma dos porquês dessa lição de uma doença assustadora. Tenho indícios apenas.
Então, como não defino os porquês, vou levando a vida como ela se apresenta, fazendo meus planos mis, pois sem eles eu não existo, sem uma finalidade específica eu não me movimento, sou movida a sonhos e realizações.
As dádivas se fazem nítidamente presentes, valores como amizade, participação, carinho, simpatia, são bálsamos recebidos por mim com muito amor.
Quero tanta coisa, principalmente deixar pra trás a bela vida que eu tive e abrir espaço para um maravilhoso futuro, já em fase de ser delineado.
Então, tudo isso atrolha a minha cabeça e faz com que eu precise escrever, colocar pra fora esse mundo num momento apenas, um mundo num momento de café da manhã...
O dia está lindo, mas eu ainda não tenho forças de sair a caminhar, as reações estão se apresentando. Mas o intruso está tão pequeno que eu não o sinto mais, isso me anima e me dá uma certeza lá no fundo: vou sair dessa!!!
Nenhum comentário:
Postar um comentário