Calçadão de Ipanema, num final de tarde. A solidão do banco.../2008.
A solidão daquele banco me inspirou dentro da minha solidão. Não entendam solidão como tristeza, como algo pejorativo, a solidão a que me refiro é aquela onde nos refugiamos quando temos que enfrentar assuntos que só nós podemos decidir, tipo esse tratamento tão agressivo. Estou com síndrome antecipatória, isto é, eu nauseio o tempo todo e principalmente quando tenho que ir para a radioterapia. Subir o morro de Teresópolis é um sofrimento, não vejo a hora de parar com tudo. Muito ruim isso. O bom é que estou dirigindo, então eu mesma me levo, o que me dá prazer. Tento essas compensações, mas é duro!!!
Não existem remédios que deem conta, pois é um condicionamento às avessas, inconsciente. Por exemplo: aquele vestido laranja, com o qual eu fiz a primeira quimio (está parcialmente na foto nas primeiras postagens), não posso nem ver e nunca mais usei... a gente acaba "marcando" indelevelmente as coisas dentro de um caminho que não é agradável. Vice-versa também é assim.
Por esse motivo eu quase não tenho escrito, ando sempre pior que grávida, indisposta à bessa e somente fazendo o estritamente necessário, como o Imposto de Renda e pagamentos. Também me cuido muito para sair de casa, pois as reações colaterais são desagradáveis, como diarréia instantânea e o próprio enjoo. Mas como tudo, tudinho depende de mim na minha organização, vejo o lado positivo disso, pois sou obrigada a ir pra rua de qualquer maneira, seja buscar sacos de lixo de densidade especial, comprar produtos pra piscina, buscar ração de cachorro, essas coisas indispensáveis. Dessa maneira, acabo me comunicando com os amigos e conhecidos pessoalmente, esqueço minhas mazelas atuais e busco energia para continuar.
Aliás, eu quero sempre agradecer aos amigos queridos que me cutucam quando eu não escrevo... é muito importante saber que existem pessoas que querem saber como estou e leem aqui as últimas que me acontecem. Essa teia de vida me sustenta, me põe pra fora, me diz que a vida continua, nos momentos em que me vejo premida pela dor e pelo desânimo.
O protocolo internacional de amplo e comprovado sucesso para a cura do tipo desse câncer de pele que eu tenho, recomenda radio e quimio conjuntas, para ser mais agressivo, já que o local não deve ser operado por ter terminações importantíssimas para a saúde. Estou na lista das pessoas que não aguentaram esse protocolo, sim... existem seres como eu que não aguentam as duas aplicações concomitantes. Fiquei muito mal nas duas vezes em que fui submetida a esse procedimento, da última vez os médicos se assustaram com o resultado, que colocou minha vida em perigo pelo excesso de queimaduras e a possibilidade de alguma infecção inoportuna.
Bem, depois de percorrer a via sacra do tratamento para voltar tudo às boas, meu médico principal recomendou que eu terminasse as radios e depois de 10 dias fizesse uma tomografia, para ele ver como está o intruso. Dependendo do tamanho do que restou vão ser calculadas as doses faltantes de quimio.
Daí iniciaremos uma outra etapa, que eu espero seja curta, curtíssima.
Então, hoje enquanto estava deitada na máquina, eu pensava com meus botões que não vejo mais nada de interessante por lá, a paisagem que tem no teto não me interessa mais, a máquina me faz mal, o cheiro do prédio me incomoda, o barulho da aplicação, um tipo de zumbido, me deixa tensa... tá na hora de azular de lá.
Tenho mais duas aplicações pela frente, segunda e terça. Se o médico de lá me der alta vou ficar muito feliz, mas eu tenho meus pés bem no chão...ele pode pedir mais algumas aplicações, tendo em vista termos interrompido o tratamento por duas vezes.
Coragem Lulu, temos que terminar de qualquer maneira...
Estou numa travessia da minha vida, uma pausa temporária, que poderá ser dolorosa e árida como um deserto ou poderá ser plena de confiança e revigoramento como um oásis.
Dessa travessia, dessa experiência, dessa pausa, vou tirar várias lições, as quais pensei em dividir com a intenção exclusiva de ajudar de alguma forma a quem precise de apoio. Cada passo dessa história poderá se tornar um sucesso, uma poesia, um exemplo. Depende apenas de mim...
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quinta-feira, 7 de abril de 2011
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Ilane querida
ResponderExcluirPerplexa estou...quando eu deveria estar mais ligada, mais conectada na tua teia.Mas sabes que meu coração te abraça e desejo que teus anseios, desconfortos sejam apenas uma passagem.
Te conheci valente e, assim te vejo e te sinto em palavras.
beijos, com muito carinho